Somando Visões | Circuito Folclórico, em busca da magia

Prepare-se para viajar de bicicleta durante 7 dias junto do artesão e amante da natureza, Silvio Alves, e se aventurar pelo interior de São Paulo em busca de lugares mágicos onde o folclore fala mais alto.

A semana folclórica passou, fruto de muito trabalho e colaborações, nós do Folclore BR tivemos uma oportunidade maravilhosa, conhecer vários entusiastas da cultura nacional e perceber que o time de protetores não é tão pequeno assim, são diversas pessoas, de diferentes lugares, com um objetivo comum, preservar, divulgar e manter vivo o nosso folclore. Conhecer, respeitar e comemorar nossa cultura é importante e faz parte desse universo cultural conhecer seus personagens, sejam eles folclóricos ou não.

Dessa vez vamos conhecer um desses incríveis parceiros e protetores, o Silvio Alves, de 45 anos, morador de Campinas, ciclista, amante da natureza, monitor em uma escola particular e artesão, dono da página Preserve nosso Folclore, que defende e difunde a cultura brasileira através de sua arte.

No dia 01/07/2017 Silvio, decidiu que era o dia de vivenciar essa cultura mais de perto e se jogou em uma aventura, munido apenas de uma câmera fotográfica e sua fiel companheira, Emília, a bicicleta (carinhosamente batizada em homenagem ao escritor Monteiro Lobato).

A data não foi escolhida aleatoriamente, o sonho da viagem começou em 2007, 7 para Silvio é um número cercado de magia, 7 são os dias da semana, 7 são as notas musicais, 7 são as cores do arco íris e “lembrando que o Saci nasce no bambu e depois de 7 anos sai dali para fazer suas traquinagens…”, diante de tal relato, não restavam dúvidas, a viagem estava predestinada a ser mágica.

A história dessa viagem, foi nomeada por ele de “Circuito Folclórico”, uma experiência afetiva e apaixonada de vivenciar os locais e as pessoas, gostaríamos de compartilhar com vocês essa façanha em uma espécie de diário fotográfico.

Silvio e Emília, a bicicleta, embarcaram em uma viagem de sete dias pela região de Bragantina e Vale do Paraíba buscando os pedacinhos espalhados do nosso folclore.

DIA 1

No primeiro dia saíram rumo a Joaquim Egídio, que é o mais distante e rural dos seis distritos pertencentes à cidade de Campinas, no estado de São Paulo. Em decorrência desse afastamento é possível encontrar uma vida verde bem presente e rememorar as boas lembranças através da arquitetura local, de seus moradores e principalmente das histórias que contam.

Pelas fotos feitas por Silvio vemos como a arte está presente nessa preservação das memórias e cultura, artesãos estão em todos os cantinhos do Brasil, produzindo e eternizando nossa história.


“Joaquim Egídio, vilarejo cercado de muita natureza e cultura caipira, tempos atrás uma Maria Fumaça chamada Cabrita, passava por ali, levando sonhos e histórias pelos trilhos e estações…no Pico das Cabras observei e senti as grandezas do Universo quando cheguei pedalando no Observatório Astronômico de Capricórnio, quantas lendas inspiraram os povos antigos”


Foi um longo primeiro dia, depois de Joaquim Egídio, Silvio e Emília desceram a serra rumo a Morungaba, município que mantém viva a dança tradicional Catira.

Há um jeito próprio de se transmitir conhecimento através do contato, é preciso ouvir, sentar, se permitir a trocar e Silvio nos mostra com clareza isso, “me deparei com uma deliciosa culinária e povo hospitaleiro, sentei na pracinha e me diverti ouvindo causos de alguns senhores que ali estavam, em Morungaba também tem Catira, tradição que atravessa gerações”.

DIA 2

Nossos corajosos viajantes foram atrás dos Lobisomens, adentram a região da Bragantina e chegaram a Joanópolis, onde a força das tradições orais e os artesãos mais uma vez se faz presente “na beira de um fogão a lenha, chá de gengibre e causos de lobisomem, passei algumas horas agradáveis com o povo de lá”.

DIA 3

Foi um dia foi de pedalada e envolvimento com a natureza, “passei na Cachoeira dos Pretos e depois de contemplar 150 metros de queda d’água, cruzei a Serra da Mantiqueira e cheguei em São Francisco Xavier, outro lugar mágico, terra de muita viola, música boa e natureza exuberante”, o viajante nos lembra as exuberâncias naturais muitas vezes esquecidas.

DIA 4

Emília levo-os pelo Vale do Paraíba onde passaram por locais de inspiração folclórica, como nos conta:

“Passei pelo Verdadeiro Sítio do Pica pau Amarelo, lugar onde nasceu o escritor Monteiro Lobato e palco de inspiração para criação dos personagens que nos fizeram viajar pelos mais diversos reinos encantados, na cidade que leva o nome do escritor, tomei um delicioso cafézinho em uma padaria, ouvindo estórias de que um dragão adormece debaixo da cidade e que sua calda fica debaixo da igreja matriz, fiquei imaginando que a Cuca havia ganhado a forma de um jacaré, réptil brasileiro, a partir dessa lenda” .

O encontro com Lobato não ficou só na visita ao sítio e nem poderia, afinal Monteiro Lobato tem uma enorme contribuição na divulgação do folclore, além de ser para a maioria de nós o primeiro contato com o mesmo, então Silvio continua a nos contar sobre esse encontro:

“No mesmo dia cheguei no Museu Monteiro Lobato em Taubaté, onde tirei fotos com os personagens do Sítio do Pica pau Amarelo, minha criança interna se despertava naquele momento, aquela que a gente não deve nunca deixar morrer, batizei minha bike de Emília, Lobato se projetou nessa boneca e através dela viajou pela Grécia antiga, mar dos piratas, País das fábulas, terra das mil e uma noites e muito mais, através de minha Emília de duas rodas eu viajava pelo nosso reino encantado, dos Sacis, Lobisomens, Iaras, Curupiras, Festas típicas e muita magia”.

DIA 5

O quinto dia dessa viagem fantástica foi um encontro espiritual “passei por Aparecida onde senti na pele e na alma a energia de ser um romeiro, um peregrino ou simplesmente um cicloviajante em busca de seus sonhos, foi muita emoção debaixo do Manto Sagrado da Mãe Aparecida, padroeira do Brasil, passei a noite numa comunidade Krishna em Pindamonhangaba, entrei em sintonia com os valores espirituais do Oriente”.

DIA 6

Penúltimo dia de viagem e nossos implacáveis companheiros vão rumo a Lagoinha, onde visitam a Cachoeira Grande e lembram dos filmes de Mazzaropi, além de encontrarem uma “terra de gente boa, cultura caipira, festas tradicionais e muita paz, lendas de Sacis, Lobisomem e Corpo seco também fazem parte do Folclore de lá”.

DIA 7

O sétimo e último dia chega, a missão é cumprida com sucesso, nosso explorador consegue concluir seu plano de conhecer mais e ver mais da nossa cultura, a última visita é a São Luiz do Paraitinga, palco da centenária festa do Divino Espírito Santo.

“…muitas outras festas e tradições, arrisco em dizer que é o lugar do Brasil onde mais tem folclore por metro quadrado, a noite participei de uma roda de causos e histórias em volta da fogueira, é lógico que o Saci Pererê não podia faltar, em São Luiz aprendi mais ainda sobre o personagem mais brasileiro de todos”.

Assim, acaba o Circuito Folclórico, essa viagem certamente foi uma inspiração para os amantes do folclore, nos deixa a certeza que cabe a nós a permanência e vivacidade da nossa história, precisamos contar e recontar para fazer viver.

Algumas das fotos tiradas pelo nosso viajante

Depois de todas as maravilhas vistas, Silvio está decidido a retornar aos lugares visitados e a transformar essa experiência em documentário, desejo toda sorte e obrigada por compartilhar!

Entrevista e texto feito por: Pâmmela Parreira
Revisão e edição: Anderson Awvas

Conheça mais do trabalho de Silvio pela sua fanpage no Facebook “Preserve o nosso folclore”

** Entenda o “FolcloreBR: Somando visões” **
 http://awvas.com.br/folclore-br/somando/

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